Culto Divino com Dr. Pablo Canalis 25/08/18
24/08/2018
Meditação diária de 25/08/2018 por Flávio Reti
25/08/2018

Comentários da Lição 08 (3o Trim/2018) por Profª Ana Kelly Ribeiro

O concílio de Jerusalém

Cremos que somos salvos pela graça de nosso Senhor Jesus, assim como eles também“. Atos 15:11

Não faz muito tempo descobri que os nossos filhos eram nossos fãs como casal. Na verdade, modéstia à parte, eu já desconfiava, quando via os sorrisinhos em algumas situações. O mais interessante foi que na mesma semana da descoberta, um deles disse, sem muitas voltas: “Aff! Como vocês discordam… do carro, do tapete, do horário, da comida…” ficamos olhando um para o outro como quem dizia: “- Descobriram nosso segredinho!” Foi aí que notei, depois de uma pesquisa de campo, que essa era uma coisa que eles admiravam. Sabíamos (nem sempre, é claro) chegar em um consenso quando tínhamos opiniões diferentes sobre a temperatura da canjica ou sobre como entendemos o assunto da Revelação Divina.

Enquanto humanos caídos, veremos as coisas parcialmente e progressivamente. Enquanto terráqueos isolados, ignoramos a abundante história do universo, recebendo apenas revelações possíveis para mentes limitadas, destreinadas e confusas. Enquanto vivemos a história desse conflito nós discordaremos uns dos outros. Em nossos relacionamentos, nossas famílias, nossas igrejas, nossas instituições, a unidade crescerá em meio a dissonâncias. O que isso representará, dependerá de como lidamos com esses momentos.

Há, na subjetividade de nossa cultura religiosa, a crença irracional de que se uma igreja é guiada pelo Espírito Santo, ela não diverge. Assim como outros paradigmas, esse também faz um desserviço, levando-nos a agredir, desconfiar, desistir. Quando temos entendimentos destoantes, temos um convite a buscar ainda mais a Sabedoria que vem do alto, juntos, com jejum e oração.

Os capítulos 14 e 15 narram o método usado para lidar com assuntos delicados da igreja cristã primitiva. Eles precisavam compreender como seria a chegada dos gentios ao corpo da igreja, com seus costumes, e, como os costumes judeus, como a circuncisão, seriam apresentados a eles. Procure não tomar partido rapidamente. Se o fizer, pode perder detalhes importantes da história.

Nossos embates hoje são diferentes: instrumentos musicais, formas de ministério, além dos assuntos que vão da cozinha ao guarda-roupa. Os temas mudaram, mas a pergunta continua a mesma: O que Deus tem a nos dizer?

O ponto em debate. A dúvida surgiu na crescente e visada igreja de Antioquia. De um lado, cristãos judeus viajaram voluntariamente para lá, argumentando sobre o perigo da cultura dos gentios destruir as características do povo escolhido por Deus para representa-Lo. Baseados nas Escrituras, exigiam que os recém conversos passassem pelo ritual que os tornariam judeus – a circuncisão.  Do outro lado, Paulo e Barnabé discordaram, firmemente, alegando o fim da exclusividade judaica e apontando para o evangelho universal da graça em Cristo.

Continue apartidário. Era assunto muito sério. De um lado, estava escrito nas escrituras. Do outro, a essência da igreja cristã e sua missão.

Resolveram enviar Paulo e Barnabé aos Apóstolos. Mais um ponto para a igreja de Antioquia! Com humildade buscaram instrução. Tiveram interesse na unidade da igreja. Não estavam abrindo mão de raciocinar sozinhos, mas estavam dispostos a ver o agir de Deus em sua família universal.

Circuncisão. O cerne do assunto. A circuncisão foi estabelecida por Deus, como marca de um povo escolhido. Gn 17:9-14. A região ao redor do Mediterrâneo, centro da humanidade na época, estava mergulhada em paganismo, violência e imoralidade. Ao começar uma história com a descendência de Abraão, era necessário separá-los. Eles seriam o sal da terra. Participar desse povo peculiar era possível para qualquer estrangeiro, mas deveria ser uma decisão solene e significativa. Marcada pela circuncisão.

Assim como o sistema sacrifical, todos os rituais que envolviam e separavam os judeus eram uma prática didática, por assim dizer, e simbólica que os conduziria para o ápice do plano da redenção, na plenitude dos tempos: Cristo.

Paulo, fariseu profundamente conhecedor das escrituras, do santuário e do judaísmo, entendera com o próprio Cristo e com sua missão que o Cordeiro que tira o pecado do mundo havia sido erguido sobre a terra para chamar as nações para a dádiva do perdão e da transformação. O tempo da graça universal chegara. O véu do templo se rasgou. O simbólico dava lugar ao real.

O debate. Em Jerusalém se inicia a reunião. Eu imagino o peso que aqueles líderes carregavam nas costas. Eram seres humanos. Vinham com seus temperamentos, suas convicções, seus medos, suas interpretações. Paulo, que não aparentava ser naturalmente um poço de paciência, menciona em Gálatas que Pedro vivia um conflito nessa situação, mas o que acontece deixa claro que esses gigantes da fé colocaram a Revelação de Deus acima de seus interesses. Glória a Deus!

A igreja, que era organizada por hierarquia, escuta as opiniões de Pedro e Tiago. Em meio a orações e clamores decidem o que deve ser feito.  Um equilíbrio entre conhecer a letra e compreendê-la na abrangência da história, à luz do Espírito. As revelações pessoais e convergentes dadas a Paulo e Pedro, em situações separadas, em Damasco e no caso de Cornélio, foram vitais para a compreensão do momento que viviam.

O decreto apostólico e a carta. Tiago propôs uma carta que esclareceria a questão. Conhecida como o decreto apostólico, determinava como seriam recebidos os cristãos não judeus. O culto a deuses pagãos, costumes alimentares deletérios e a imoralidade sexual deveriam ser abandonados. O livro de Apocalipse (2:14) confirma a relevância dessas reformas para além daqueles dias. É notório: o santuário, o sistema sacrifical, as festas judaicas, a circuncisão, foram necessários pelo próprio contexto da humanidade e em determinada época. Tiveram seu lugar. Deveria, no entanto, permanecer apenas aquilo que trazia propósito para aquele momento – e isso era definido pela onisciência divina. Todo resto poderia representar apenas bloqueios ao progresso da missão.

O que há nos registros históricos que tem propósito salvífico atemporal? Você consegue enxergar a diferença entre as leis a respeito de sacrifícios e o libertador padrão de vida proposto pelos dez mandamentos? Consegue perceber a carinhosa proteção que existe nas orientações sobre saúde e sobre alimentos adequados ou não para consumo?

Como igreja, temos uma mensagem de amor para levar ao mundo. Ela não é um convite com “passos para se obter uma credencial de membro exclusivo do clube dos salvos”. Também não se trata de uma verdade rala que não transforma em nada nossa deplorável e egoísta existência. Entendê-la, demanda o conhecimento profundo das Escrituras, sob o pessoal e constante esclarecimento do Espírito Santo.

Alguém bem acima de nós sabe exatamente para que beleza e grandeza fomos originalmente criados. Nosso Senhor, que ocupa toda linha do tempo, que vê a plenitude o espaço, sabe perfeitamente como devemos viver. E Sua mão não está encolhida de forma que não possa banhar nossas casas e igrejas com a Sua benção, com a Sua Luz. Não precisamos brigar mais. Somos, pela Criação, irmãos. Podemos nos sentar juntos, aos Seus pés, enquanto nos explica cada coisa. Não é um caminho fácil. Assim como apóstolos podemos, vez ou outra, ficar desconfortáveis, fazendo coisas diferentes do que imaginamos, ou esperando até chegarmos à compreensão. Mas vale a pena, entende? Por que precisamos tanto de embates e de longas defesas de nossas convicções se podemos ir à Fonte com sinceridade e perguntar: O que Deus tem a nos dizer?

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