Meditação de Pôr do Sol de 31/07/2015 por João Luiz da Silva Leitão
30/07/2015
Comentários da Lição 6 (3ºTri/2015) por Wagner Teoro
06/08/2015

Comentários da Lição 5 (3ºTri/2015) por Wagner Teoro

31 de julho de 2015

“Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria.” Hebreus 11:14

Querido amigo,

Somos seres viajantes! Gostamos de experimentar a liberdade de ir e vir, de desbravar o além do nosso. Por isso, das prateleiras das livrarias às páginas virtuais, viagem é um universo vasto. São milhares de informações, dicas, mapas, rotas e destinos. Nós traçamos o mundo em meridianos e o catalogamos do Oiapoque ao Chuí. Viajar é bom demais, viajar combina com missão. Mas, aqui, atenção. Pisar em terra estranha requer conhecimento dos princípios-guia. E nada melhor para o missionário viajante do que o Guia do Exilado Hebreu! Exatamente, os exilados hebreus da bíblia consolidaram regras próprias que livram o cristão dos maiores apuros da missão.

Primeira coisa, não perca a sua identidade. Em terra estranha você não pode esquecer-se de quem é, pois quem deixa a si jamais será reconhecido. Por isso, dentre todos os jovens sábios de Israel, somente Daniel, Hananias, Misael e Azarias “passaram a assistir diante do rei”, porque não abandonaram aquilo que sempre foram. O quarteto amigo de Judá rejeitou os finos manjares da mesa real por legumes para comer e por água para beber. Não à toa diz o ditado que “nós somos aquilo que comemos”. Aqueles jovens sabiam que tomar da mesa estranha nos faz esquecer-nos de quem somos. Por conta disso, “a estes quatro jovens, Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda a cultura e sabedoria”, e os fez “dez vezes mais”. Lembre-se de José, que mesmo após tantos anos no Egito, tendo seu próprio nome mudado para Zafenate-Paneia, “não se podendo conter diante de todos…levantou a voz em choro, de maneira que todos os egípcios o ouviam e também da casa de Faraó. E disse a seus irmãos: Eu sou José…e para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós.”. Amigo, em terra estranha, jamais esquecer-se de quem você é jamais esquecer-se do por que lá está. Veja Jacó no Jaboque, passou a noite lutando com Deus, mas no raiar do dia, ao “Como te chamas? Ele respondeu: Jacó”, o primeiro indivíduo a cometer desvio irregular de benção. Anos foragido! Duas esposas, filhos, e muito dinheiro. Mas voltar requeria dele assumir sua identidade. É verdade, a bíblia é pura coesão, apenas aquele que revela sua identidade a Deus está pronto a retornar.

Segundo, não desrespeite a bússola. O bom viajante cristão sabe que existem regras diferentes das suas, mas tem como norte de suas atitudes os seus próprios princípios. Diante do decreto de ordem a que “todo homem que ouvisse o som da trombeta, do pífaro, da harpa, da cítara, do saltério” e até da gaita de foles e de toda sorte de música deveria se prostrar e adorar a imagem de ouro do egocêntrico Nabucodonosor, no campo de Dura, os exilados hebreus na babilônia, Sadraque, Mesaque e Abedenego, recusaram-se ao sutil e escandaloso ato, mesmo ao preço da fornalha mais quente, que não queimou deles um fio de cabelo. Em mesma santa ousadia agiu Daniel, que face o interdito “que, por espaço de trinta dias, todo homem que fizesse petição a qualquer deus ou a qualquer homem e não” a Dario, o rei, seria comido vivo por leões, “quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa, e em cima, no seu quarto, onde havia janelas abertas do lado de Jerusalém, três vezes ao dia, se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante de Deus, como costumava fazer.”. E não levou uma mordida sequer. Fazendo ou deixando de fazer, esses exilados em terra estranha defenderam seus princípios com suas próprias vidas. José, diante do assédio de Potifar, perdeu a capa, mas não perdeu a cabeça, e não perdeu o princípio. Em viagem de missão, quebrar princípios é como destruir a bússola. E não há sentido em um só passo quando não estamos no sentido certo. Por isso, o bom missionário sabe o valor de seus princípios, mas quem abandona o norte da bússola não diz o caminho a ninguém.

Terceiro, não perca a sua fé. Deus é o Senhor da missão. Já diz a palavra sábia, “faça como tudo dependesse de você, mas ore como tudo dependesse de Deus”. ELE trabalha no campo das humanas impossibilidades. Na bíblia, as autoridades políticas já tinham sonhos perturbadores. José foi único que interpreta o sonho estranho de Faraó. Ele dizia: “Não está isso em mim” mas em Deus. Da mesma forma aconteceu com o sonho secreto de Nabucodonosor. Os especialistas diziam: “não há mortal sobre a terra que possa revelar o que rei exige”. Então, Daniel volta para casa e pede aos amigos “para que pedissem misericórdia ao Deus do céu sobre este mistério“. Resultado? Missão cumprida, sonho revelado e interpretado. (Pois é, também pensei a mesma coisa. Em períodos políticos conturbados como os que vivemos hoje, José e Daniel seriam requisitadíssimos na capital federal. Nós também temos nossos pesadelos!) Terra estrangeira é campo missionário, amigo. Por isso, todo missionário que se preze, para onde vai, leva seu grão de fé. “Caminhamos por fé e não por vista”, disse Paulo. Ninguém entende mais de missão do que ele. Fé é indispensável. Entre a fé, a esperança e amor, o maior de todos é o amor. Mas sem fé, não há sentido para esperar e nem amar. Veja Abraão, Sara, Isaque e Jacó e muitos outros, “todos estes morreram”, mas não sem fé. Mesmo “sem terem obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra” aguardam Cristo no seu dia.

Por isso, por último, porém não menos importante: jamais se esqueça de casa. De fato, o lar é nosso melhor roteiro. Talvez nada se iguale ao confortante sentimento da volta. O viajante tem na boca o sabor de sua pátria. Assim era com o povo hebreu, que as margens do rio da babilônia assentado chorava lembrando-se de Sião. Como cantar em terra estranha? “Se eu de ti me esquecer, ó Jerusalém, que se resseque a minha mão direita. Apegue-se me a língua ao paladar, se me não lembrar de ti, se não preferir eu Jerusalém, à minha maior alegria.”. A viagem, assim como a missão, apenas termina quando se chega em casa. Não há recanto nesse planeta que seja melhor do que nosso próprio lar. O missionário de verdade sabe que o ir da missão abriga em si o retornar dela. Entendo o lamento salmúdico do povo hebreu, é difícil cantar com o coração engasgado de saudade, por isso penso que Fanny Jane Crosby talvez tenha embrulhado em lágrimas cada sílaba desse belo hino que compôs, cuja terceira estrofe em poesia declara: “qual filho do seu lar saudoso, eu quero ir; qual passarinho para o ninho, eu quero ao céu subir.” Amigo, forasteiros, aqui, não estamos menos cativos do que estava o povo hebreu. Por mais que possamos palmilhar todos os lugares desse planeta, estamos presos a nossa pecaminosa condição. Por isso, almejamos tanto o lar. Mas a boa nova a secar as lágrimas do povo hebreu, também serve de conforto aos missionários daqui, aos quais Deus dirige a promessa na pessoa de Isaías, no versículo 17 e 18  do capítulo 65: “Pois eis que crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas. Mas vós folgareis e exultareis perpetuamente no que eu crio; porque eis que crio para Jerusalém alegria e para seu povo, regozijo.”. No Guia do exilado hebreu, a última dica, é voltar.

Wagner Teoro

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