Comentários da Lição 12 (3º Tri/2015) por Wagner Teoro
18/09/2015
Meditação de Pôr do Sol de 25/09/2015 por Luci Angela Tosta Morais
25/09/2015

Comentários da Lição 13 (3º Tri/2015) por Wagner Teoro

Querido amigo,

Então, disse aos seus discípulos: A seara é realmente grande…. Mateus 9:37

O melhor está no final. Quem disse isso não fui eu. “Melhor é o fim das coisas do que o princípio delas”, Eclesiastes 7:8. Descobri cedo que os mestres capricham no fim. Pode até parecer que nem seja dado tanto valor assim ao início, mas não é verdade. Pois todos sabemos que sem começo não há fim. E tratando-se de missão, o fim nunca esteve tão ligado ao início. Na origem da missão encontramos a chave da ouro que abre e fecha as portas do futuro. E quem tem esperança jamais se esquece do que foi dito no passado.

O apóstolo Pedro disse que nós somos “uma geração eleita, o sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva…” de Deus. E acreditamos. João disse que somos a igreja remanescente que detém o conhecimento da tríplice mensagem angélica de apocalipse 14. Nós acreditamos. E disse, ainda, que somos a descendência, “os que guardam o mandamento de Deus e têm o testemunho de Jesus”, como diz a profecia de apocalipse 12. Acreditamos. Somos o povo do fim, incumbidos da última mensagem a ser proclamada a todo mundo.

Mas ao checar os dados de nossa missão, percebemos que chegamos ao fim dos tempos, mas não ao fim da obra, pois o mundo é imenso. Crescei e multiplicai foi a única ordem divina cumprida com tanta diligência pelo homem. Ocupamos o planeta todo. Somos 7 bilhões de pessoas espalhadas por aí, e esse número cresce e cresce mais. Por exemplo, nessa semana, nasceram dois filhos de amigos meus, e existem vários outros em estágio de acabamento, e outros tantos em fase da intenção. Uma benção! Mas a cada frágil ser que nasce aumenta a nossa responsabilidade em garantir que ele não descansará sem ouvir à respeito de Jesus.

Ao lado disso, os dados estatísticos de nossa realidade querem desafiar as nossas certezas. Dados da instituição demonstram que somos cerca de 18 milhões de adventistas, ou seja, cerca de 0,26% da população mundial. Isso significa, que para cada membro da igreja adventista existem cerca 390 pessoas que precisam ouvir a mensagem. Assim, considerando-se que a igreja tem recebido cerca de 1.170.000 novos conversos por ano, nosso desempenho missionário médio está na faixa do discreto 0,6% do objetivo individual. (Eu também fiquei com vergonha). Mesmo sem considerar o número de pessoas que ouvem a mensagem, mas decidem não aceitá-la, parece que pelo tanto a ser feito não poderíamos dizer que chegamos ao fim. Isso explica o crescimento expressivo dos sem-religião.

Diante disso, lembro que fiquei impressionado com a declaração dada pela igreja na 59ª Conferência Geral, realizada em Atlanta, nos Estados Unidos, em 2010. O folheto distribuído aos membros, dizia:

“Deus chamou, de forma singular, a Igreja Adventista do Sétimo Dia para viver e proclamar Sua mensagem de amor e verdade para os últimos dias do mundo (Apocalipse 14:6-12). O desafio de alcançar os mais de seis bilhões de pessoas no planeta Terra com Sua mensagem para o tempo do fim parece impossível. A tarefa é esmagadora. De uma perspectiva humana, o rápido cumprimento da Grande Comissão de Cristo, em algum momento próximo, parece improvável (Mateus 28:19, 20).
A taxa de crescimento da Igreja simplesmente não está acompanhando o crescimento da população mundial. Uma avaliação honesta de nosso impacto evangelístico atual no mundo leva à conclusão de que, a não ser que haja uma mudança dramática, não concluiremos a comissão celestial nesta geração. A despeito de nossos melhores esforços, todos os nossos planos, estratégias e recursos são incapazes de concluir a missão dada por Deus para Sua glória na Terra.”

A franqueza dessas palavras foi chocante. Diante do compromisso missionário que temos, a leitura de nossa incapacidade deve nos levar a releitura de nosso engajamento. Com a mensagem que detemos e acreditamos, após constatarmos de que há algo errado com o povo do fim, é preciso buscarmos o conhecimento do início. E a partida de Cristo aos céus é ponto de partida da missão, o nascimento oficial da esperança de um dia vê-lo voltar.

Conta-se que Cristo havia reunido os discípulos a fim de despedir-se deles. Ele havia cumprido a sua tarefa e agora precisava que os discípulos compreendessem a tarefa deles. Em atos 1:4, Ele “determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai”. O último diálogo de Cristo não foi para tratar do fim dos tempos, mas do início da missão:

“Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel? E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra. E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos.”

Segundo os historiadores, havia naquele tempo cerca de 250 milhões de pessoas no mundo. Porém, foi à 12 homens, incluindo Matias, a quem Jesus deu a missão de ir a todas as nossas nações, batizando em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. (Mateus 28:19). Em mateus 9:37, o próprio Jesus havia reconhecido que “a seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros”. No entanto, se pararmos para olhar as estatísticas desses simples homens, veremos que sua missão equivalia a responsabilidade de um apóstolo para mais de 20 milhões de pessoas! Talvez jamais tenha existido meta mais ambiciosa do que essa. Porém, são esses 12 homens que encontramos no berço da missão. Em atos 2, lemos que no dia do Pentecostes, “de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas com de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo…”

Querido leitor, não foi fácil a esses discípulos. Sua missão era imensamente maior que a nossa. Todos esse 12 homens morreram na missão, transtornando o mundo com a palavra do evangelho. Em atos 2:41, lemos que no dia do Pentecostes agregaram-se quase três mil almas. Em atos 4:4, mais uma atuação do Espírito Santo, e dos que ouviram a palavra e creram foram quase cinco mil. E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo. Poucas décadas depois, o apóstolo Paulo relatou que o evangelho “foi pregado a toda criatura debaixo do céu” (Colossenses 1:23). Incrível, não é?

Descrevendo a experiência desses discípulos, Ellen G. White escreveu: “Pondo de parte todas as divergências, todo o desejo de supremacia, uniram-se em íntima comunhão cristã. A tristeza lhes inundava o coração ao se lembrarem de quantas vezes O haviam mortificado por terem sido tardos de compreensão, falhos em entender as lições que, para seu bem, estivera buscando ensinar-lhes. … Os discípulos sentiram sua necessidade espiritual, e suplicaram do Senhor a santa unção que os devia capacitar para o trabalho de salvar almas. Não suplicaram essas bênçãos apenas para si. Sentiam a responsabilidade que lhes cabia nessa obra de salvação de almas. Compreendiam que o evangelho devia ser proclamado ao mundo, e reclamavam o poder que Cristo prometera” (Atos dos Apóstolos, p. 37).

O derramamento do Espírito Santo sobre a Igreja Primitiva foi apenas um prenúncio do que ocorrerá em nosso fim. Pedro, ao tratar do derramamento do Espírito Santo no Pentecostes, se dirige a nós: “Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar” (Atos 2:39). Cristo tem guiado a Igreja, preservando a sua mensagem por intermédio de homens e mulheres, pioneiros e missionários que entregaram a vida ao cumprimento de uma tarefa que não chegaram a ver seu resultado. Isso nos deve encorajar ao absoluto comprometimento com a tarefa que cabe ao remanescente. Deus fará maravilhas com almas dispostas que desejam o Espírito Santo para conclusão da missão. O que Deus fez com 12 homens pode fazer com cada um de nós.

Segundo Ellen White acrescenta: “Antes de os juízos finais de Deus caírem sobre a Terra, haverá, entre o povo do Senhor tal avivamento da primitiva piedade como não fora testemunhado desde os tempos apostólicos. O Espírito e o poder de Deus serão derramados sobre Seus filhos. Naquele tempo, muitos se separarão das igrejas em que o amor deste mundo suplantou o amor a Deus e à Sua Palavra. Muitos, tanto pastores como leigos, aceitarão alegremente as grandes verdades que Deus providenciou fossem proclamadas no tempo presente, a fim de preparar um povo para a segunda vinda do Senhor” (O Grande Conflito, p. 464).

Querido leitor, é no começo da igreja que encontramos a chave dos prodígios missionários. Por mais que a tarefa pareça impossível de ser cumprida aos olhos humanos, Deus é quem está no controle da missão. Não podemos medir o poder do Espírito Santo derramado sobre uma vida dedicada à salvar outras pessoas. Jovens, crianças, adultos, idosos, todos são chamados a assumir seus postos na missão. Concluo as últimas palavras desses comentários com o pedido feito pela igreja em 2010, conclamando a todos para o reavivamento e reforma. Independentemente de quanto trabalho ainda precisa ser feito, aquele que vem em breve virá, e não tardará. O fim será apenas o começo!

“Apelamos a cada membro de igreja a se unir aos líderes da Igreja e a milhões de outros adventistas do sétimo dia, buscando um relacionamento mais profundo com Jesus e o derramamento do Espírito Santo na primeira hora de cada dia, e também participando da corrente mundial de oração às sete horas de cada manhã ou tarde, sete dias na semana. Esse é um apelo urgente que deve alcançar todo o nosso território e circundar o globo com sincera intercessão. Esse é o chamado para um compromisso total com Jesus e para experimentar o poder transformador de vidas do Espírito Santo, e que nosso Senhor anela nos dar agora.

Cremos que o propósito do derramamento do Espírito Santo no poder da chuva serôdia é concluir a missão de Cristo na Terra, a fim de que Ele possa vir em breve. Reconhecendo que nosso Senhor somente derramará Seu Espírito, em Sua plenitude, sobre uma igreja que tiver paixão pelas pessoas perdidas, determinamos apresentar e manter o reavivamento, a reforma, o discipulado e o evangelismo no topo de todas as nossas agendas de atividades da Igreja. Mais do que tudo o mais, anelamos pela vinda de Jesus.

Apelamos a cada administrador, líder de departamento, obreiro institucional, obreiro da saúde, colportor, capelão, pastor e membro da Igreja a se unir a nós em tornar o reavivamento, a reforma, o discipulado e o evangelismo as prioridades mais urgentes e importantes de nossa vida pessoal e em nossas áreas no ministério. Estamos certos de que, ao buscarmos a Deus juntos, Ele derramará Seu Espírito Santo sem medida, a obra de Deus na Terra será concluída e Jesus virá. Juntamente com o idoso apóstolo João, na Ilha de Patmos, clamamos: “Vem, Senhor Jesus!” (Apocalipse 22:20).”

* O documento original foi votado no Concílio Anual da Associação Geral em 11/10/2010.

Wagner Teoro

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