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Meditação de Pôr do Sol de 18/09/2015 por Luci Angela Tosta Morais
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Comentários da Lição 11 (3º Tri/2015) por Wagner Teoro

Comentários da Lição da Escola Sabatina

Lição 11 – Paulo: o seu Passado e seu Chamado
por Wagner Teoro

Querido amigo,

Sem comentários!

Pois na semana passada o comentário sobre Filipe não veio. E isso não pode ficar sem retratação. Mas de todas escusas justificativas nenhum delas seria suficientemente justa. Quero apressar-me em dizer que este comentarista não tem nada contra Filipe. Muito pelo contrário. Filipe foi um homem bom. Ele alimentou quem precisava, seguindo o exemplo de Jesus. Pois uma das piores coisas da vida é passar fome. A história do Filipe evangelista é uma história de quem matou a fome de viúvas gregas ao homem Etíope. Filipe entregou o pão sem olhar a certidão de nascimento de ninguém. Nós deveríamos fazer assim também. Porém, o comentário não veio. Não sei se alguém tem fome de comentários. Espero que não. Pois quem tem fome fica irritado ou triste. Não quero que tenha se irritado. E caso tenha ficado triste, veja como Paulo, que aprendeu a estar contente em toda e qualquer circunstância.

Eu sei isso não é fácil. Esses dias ouvi um famoso professor ateu dizer que sente inveja de Paulo. Os ateus não acreditam que alguém tudo pode em um Deus que fortalece, em ser feliz mesmo nas circunstâncias mais adversas, em morrer com sentido. Até alguns cristão não acreditam. Ele disse que tem inveja de Paulo, pois diferentemente deste, estava preso a visão do mundo que ele mesmo criou. Vive preso ao aplauso de uma sabedoria que não resolve a vida. Não vê sentido na solidão, no desalento ou no choro. Sua ciência e filosofia não enxugam as lágrimas de ninguém. E não sem desconcertada ironia, diante da plateia cheia, afirmou que um dia, quem sabe, mudaria de opinião. Como disse certa vez CS Lewis, “se você está na estrada errada, progresso significa fazer o retorno e voltar para a estrada certa; nesse caso, o homem que volta atrás primeiro é o mais progressista de todos”.

Paulo, o missionário cristão, chamava Saulo, o perseguidor de Jesus, até cair do cavalo e perceber que estava cego. Foi na estrada de Damasco que ele tomou sua decisão. Ele ouviu Jesus falar com ele e obedeceu. Melhor assim. Os paulistas, especialmente, agradecem. Pior é ser teimoso e orgulhoso a vida inteira, ouvindo a Cristo, mas negando sua voz. Os ateus não acreditam em Paulo, porque ele os deixou numa situação ruim. Ele mostrou que não se trata de opinião, mas de conversão. É possível mudar de uma vida cheia de orgulho e pompa, mas sem sentido, para uma vida humildade, mas satisfatória e completa, se houver conversão. Isso eles não entendem. O Saulo admirado e temido tornou-se Paulo, um verdadeiro missionário, perseguido, mas feliz.

Querido leitor, quer saber se você é um verdadeiro missionário? É simples. Olhe para sua vida. Como estão as coisas? Está tudo bem? Seu chefe é um amor de pessoa, um cristão absolutamente convertido que não precisa de seu perdão? No seu trabalho os colegas estão ótimos, ganhando bem e postando fotos felizes de passeios nas redes sociais? Sua esposa é uma mulher imensamente satisfeita e santa? Seu marido não tem o que reclamar, pois as refeições em casa são servida em horário britânico? Seus filhos são rebentos de bênçãos que correm suave em direção ao mar? Os vizinhos são maravilhosos, silenciosos, discretos, você nem mesmo os conhece? O banco está bem, nada te falta de comer, beber e vestir, enquanto muita gente está em situação pior? Suas noites tem sido de sono justo? Você sonha com céu de brigadeiro? Seu navio segue tranquilo rumo ao porto? Amigo leitor, gosto de uma máxima que diz assim: mares calmos não formam bons marinheiros. Então, se a vida segue sem tempestades, talvez seja preciso mudar a rota, e cair de alguns cavalos.

Paulo concordaria. Pois se perguntássemos como foi sua vida, responderia: “Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas. Quem enfraquece, que eu também não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu me não abrase?” 2 Coríntios 11:24-29.

Mas essa é a vida que vale a pena ser vivida. Como nunca nossa geração busca uma vida intensa de fortes emoções. Nunca antes no Brasil as pessoas pularam tanto de paraquedas e postaram fotos de pratos na internet! Mas viver intensamente não é pular com ou sem paraquedas – tem muita gente que faz e morre, e nem é comer do diferente e gostosíssimo – tem gente come e passa mal. E também não é esquiar em montanhas inacessíveis sentindo como nunca o frio na barriga. Viver intensamente não é ser radical. Viver intensamente não é comprar uma moto para ficar passeando por aí, pelas estradas assassinas do Brasil. Viver intensamente não é gastar todos os seus recursos para assistir seu time jogar a final do Campeonato em Tóquio – isso é fanatismo, por mais que seja uma vez só. Viver intensamente não é fazer loucuras em nome de um efêmero momento de paixão. Viver intensamente não é planejar as férias em destinos exóticos que quase ninguém foi. Viver intensamente não é comprar um apartamento, uma casa, um barco, ou um carro novo, por mais intensas que sejam as emoções causadas pelos carnês de financiamento. Isso enganar-se intensamente.

A vida de Paulo é o exemplo de um vida intensa não pela quantidade de adrenalidade que sentiu, mas pelos motivos pelos quais sofreu. Já diria uma frase sábia que mais importante do que ter motivos para viver é ter motivos para morrer. Saulo tinha motivos para matar, mas Paulo tinha motivos para morrer. Acreditava no que pregava como poucos em nosso tempo acreditam. Em sua carta aos romanos escreveu que não se envergonhava do evangelho. Foi na casa de Filipe, em Cesaréia, que o profeta tomou o cinto de Paulo e prendendo com ele os próprios pés e mãos, afirmou que assim seria feito a Paulo em Jerusalém. E sobre pedidos dos amigos para que não subisse para lá, Paulo respondeu: “Que fazeis chorando e quebrantando-me o coração? Pois estou pronto não só para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.” Atos 21.13. Paulo nos mostra que apenas vivemos intensamente quando nos desapegamos de nossa própria vida, para nos apegarmos a vida de Jesus. A missão é o único meio para uma consciência assim.

Querido leitor, o banco da igreja jamais fará alguém sentir os sabores de uma vida de missão. Na história de Paulo o vemos pregar e congregar-se em Antioquia e outras igrejas. Mas a melhor parte de sua vida, não foi enquanto era Saulo, dentro de sinagogas, preso a rituais de frívolas legalidades que não salvam ninguém, mas quando se tornou Paulo, no campo missionário, perto de gente que precisava conhecer Jesus. A igreja para Paulo era diferente do que era a sinagoga para Saulo. Para Saulo a sinagoga era ponto principal da vida religiosa. Para Paulo a igreja e convivência entre irmãos, o renovar as energias para nova missão, um refúgio na cidade hostil. A igreja é início da missão, a missão a finalidade da igreja. E a igreja é formada de pessoas, embuídas do espírito de missão. Nada mais claro de que suas próprias palavras dizem:“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” 1 Coríntios 3:16

O livro de Atos conta que Paulo em Jerusalém foi preso e enviado ao procurador de Roma em Cesaréia. Félix manteve Paulo em prisão por dois anos. Depois foi levado a Roma, onde foi julgado perante Nero e executado. Segundo a tradição, Paulo teria sido decapitado, mas antes de morrer, teria escrito a Timóteo o que diria a qualquer um de nós; “Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina”. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério. Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda. 2 Timóteo 4:1-8

Esse é o tempo.

Wagner Teoro

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