Meditação de Pôr do Sol de 03/07/2015 por Angela Veteri S. Costa
03/07/2015
Comentários da Lição 2 (3ºTri/2015) por Wagner Teoro
10/07/2015

Comentários da Lição 1 (3ºTri/2015)

Comentários da Lição 1 – A Natureza Missionária de Deus 

por Wagner Teoro

Por que razão, quando eu vim, ninguém apareceu?
Quando chamei, ninguém respondeu?
Isaías 50:2

Querido Leitor,

A chave da lição bíblica dessa semana é a compreensão de um pergunta, que posiciona o protagonismo de Deus na história da redenção. Explico:

No principio Deus criou, ajuntou, separou, afirmou, povoou, Deus mandou. E de fato, tudo era bom. E o homem, muito bom. Muito bom, porque mais recebeu, pois além da vida, teve a liberdade, a imagem e a semelhança de Deus. Ver a criatura parecia ver o Criador. Era lindo! Realmente, ninguém na terra recém- criada tinha o que o ele recebeu, mas o inestimável bem do homem, sem dúvida nenhuma, era Deus.

No entanto, a perfeita plenitude em gênesis dura somente 2 capítulos. Talvez, por isso, temos até hoje essa sensação estranha de que a felicidade dura pouco. Nossos pais caíram cedo, caíram baixo. A liberdade não conteve o avassalante desejo pelo fruto proibido. – Por que o expressamente proibido parece tão deliciosamente atrativo? – Atraídos e traídos, nossos pais se perderam de si, afastados um do outro, acabaram por esconderem-se de Deus.

De fato, o ato mais triste de tomar do proibido é esconder-se de Deus. Em gênesis 3:7, abriram-se, então, os olhos de ambos.  Abriram-se para si, mas fecharam-se para Deus. Não se via mais em Adão a impressão do Criador, que por sua vez, ciente do pecado, não agiu em desespero atropelando a razão, mas esperou o fim do dia para interpelar sua criação. Deus não age por impulso, não é pego de surpresa. Deus é paciente, diferentemente de nós, que por muito menos falamos firme e damos bronca.

Entre pecado e santidade, nossos pais experimentaram a clara divisão. Na tentativa de esconder o erro, acabaram escondendo a si. De fato, o pecado tem essa característica de ficar impregnado em nós, de tomar o lugar que é separado para Deus. Treva não convive com Luz. Até hoje, quantas vezes ainda tentamos conciliar o inconciliável, mas ninguém pode servir a dois Senhores, como disse Jesus, segundo Mateus 6:24. Por isso, nos atrapalhamos, como se atrapalharam nossos pais. Desconcertados, envergonhados e amedrontados, nos sentimos nus como eles se sentiram diante da Santidade, e da mesma forma nos vemos escondendo nossas vergonhas em folhas de figueiras mal adaptadas. E pior, perdidos. Perdidos da atmosfera pura que antes envolvia, perdidos da face de Deus em nossa própria identidade.

É curioso como o homem que dantes se escondeu, hoje acusa Deus de ter se ocultado. Deus não sumiu. Deus foi expulso de nós. A bíblia não é a história de um Deus que se ausenta, a Quem o homem tenta encontrar. Deus não brinca de esconde esconde. Não, não. Achamos a Deus quando nos permitimos encontrar-nos. Depois do fruto,  o última que Adão queria ver era Deus. Adão fugiu, se escondeu. Coube a Deus a iniciativa de buscá-lo. Que graça e misericórdia! Na tragédia do Éden, Deus aborda o homem com uma pergunta, que coloca em ordem, no plano da redenção, o papel de criatura e Criador. Com uma única pergunta Deus define o pecado e o protagonismo da missão: Onde estás? Gen 3:9, pergunta ao homem. Define pecado, porque revela a separação, define o protagonismo, porque revela que é Deus quem deseja disso saber.

Em nosso egoísmo e prepotência humanos constantemente queremos claras definições. Reviramos e reviramos páginas da sagrada bíblia em busca de nossas desejadas respostas, mas mais importante do que a resposta de Deus a nossas perguntas da vida, é a Sua pergunta para a qual damos evasivas respostas. Onde estás? é a pergunta mais urgente de toda a bíblia que requer de nós resposta e não desculpa. Pense, amigo, o que adiantaria buscar respostas, se Deus não estivesse interessado em saber de nós? Abrahm Joshua Heschel, filósofo judeu, que disse bem quando falou que o sábado é uma catedral no tempo,  ao refletir sobre essas coisas, escreveu: “Se Deus não fizer a pergunta, todas as nossas indagações são vãs.”

Onde estás? é a pergunta que ecoa do Éden, de um Deus em busca do homem perfeito que criou, pois a distância de Deus não se mede em metros, mas em semelhança. Onde estás? nunca foi uma pergunta de caráter geográfico. Como já disse Davi no Salmo 139:7, para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da face? . Deus está todos os lugares. É que o pecado nos tornou irreconhecíveis do homem que Deus criou. Por isso que Ele sai a procura de nós, para nos resgatar a Sua imagem e a Sua semelhança.

Onde estás? é a pergunta feita pela boca de Noé a um povo degenerado que se ausentou de Deus; a mesma pergunta que encontrou Abraão, o pai da fé; e a mesma que se traduziu nas palavras de Moisés ao rebelde povo de Israel. Foi Deus quem buscou o povo escravo no Egito para levar a Canaã. Foi Deus que traduziu sua pergunta em advertência ao povo pela boca de Isaías, de Jeremias e de Ezequiel; bem como do teimoso Jonas, o que precisou viajar num peixe para repartir a salvação com Nínive.  Deus falou por Ester e Mordecai, falou por Pedro, Filipe e Paulo. Deus tem falado. Tem vindo atrás de nós, para encontrar-se conosco na sua vontade, na obediência de sua Lei, na contemplação de seu caráter.

A bíblia é repleta de histórias e exemplos em que Deus sai em busca do homem que constantemente se esconde de Deus. Mas a mais radical expressão dessa busca implacável é Cristo Jesus. “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós.” 2 Coríntios 5:21. Ele veio pessoalmente, amigos. E nós não o recebemos. Pelo contrário, o ferimos e matamos. Não queríamos Emanuel, perdemos o costume de conviver com Deus, nos incomodamos com suas perguntas constrangedoras e afirmações diretas e desconcertantes. Deus desmascarava o pecado em nós. Em Cristo, Deus veio pessoalmente, ultrapassando as últimas consequências do amor. Jesus veio ao mundo implorar por nós. Tal Pai, tal Filho. Nas palavras Dele mesmo, em João 5:17, Meu Pai trabalha até agora e eu trabalho também.

Amigo, Deus é missionário. Sim, Ele é. E missionário de carteirinha. Ele não dorme e nem se cansa. Deus bate ponto na missão. Paciente, Sábio, Justo, Amoroso, Todo Poderoso. Convenhamos, Ele tem perfil para isso.  Deus é o Dono da missão. Por  tudo isso, missão não é o caminho do homem para Deus, mas de Deus para o homem. Todo nosso esforço missionário é um caminho Dele. O homem por si próprio jamais retornaria a Deus. Deus precisa buscar o homem. Esse é o caminho que a Bíblia nos apresenta. Deus vindo em nosso sentido, na missão que é Dele, e na forma Dele. Por isso, Cristo dirá, Eu sou o caminho, a verdade e a vida, em João 14:6.

E qual é o papel da igreja? É dar espaço para esse encontro de Deus com o homem. A igreja expressa na religião verdadeira desperta a consciência religiosa para o encontro do Onde estás? de Deus com a aguardada resposta do homem. Nessa consciência religiosa, abre-se o caminho para Deus agir, para Deus achar. Ele fez a primeira pergunta, o que cabe ao homem é trabalhar nessa resposta. Essa é nossa comissão. Chamar a atenção do homem para urgência dessa resposta, seja ele de qualquer raça, tribo, língua,  ou nação.

Por isso, Ellen White dirá, que a ”igreja de Cristo na Terra foi organizada para fins missionários, e o Senhor deseja ver a igreja toda idealizando meios e planos pelos quais grandes e pequenos, ricos e pobres, possam ouvir a mensagem da verdade.” Testimonies, vol. 6, pág. 29.

Estamos perto desse objetivo?

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