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Comentário da Lição da Escola Sabatina
Lição 4 – Sabedoria Divina
Por Josele Vizotto

 

A SABEDORIA EM PESSOA

A biblioteca do meu pai foi um dos lugares mais fascinantes pra se passar umas horas durante a minha infância. As dezenas de gêneros e milhares de títulos faziam a festa de três garotinhas que amavam os livros.

Eu gostava particularmente dos livros de mitologia egípcia e grega. Desde cedo percebi e contrastei a desconcertante “humanidade” dos deuses do politeísmo egípcio e grego, com suas fraquezas e inconstâncias temperamentais, com a belíssima, poderosa e incomparável humanidade de Cristo, único Deus, manifesto em carne, o Criador de tudo, o Verbo Eterno. Mesmo quando criança isso me foi muito claro. Ainda assim, me divertia conhecendo as centenas de divindades daqueles povos e suas atribuições. Athena, dos gregos (Minerva dos romanos) sempre me chamou a atenção. Talvez porque sendo a deusa grega da Sabedoria e Justiça, curiosamente é representada por uma mulher com os olhos vendados, segurando uma balança. Os advogados explicam esse símbolo muito bem. Seu equivalente romano, Minerva, tem como mascote uma coruja, um dos meus bichos prediletos. A coruja tornou-se um símbolo da sabedoria por ser um animal com grandes olhos atentos, uma cabeça que gira 360 graus permitindo visão ampla e panorâmica e que enxerga extremamente bem especialmente na escuridão. Minha mente juvenil se encantava com tudo isso.

Essa semana vamos encerrar o que alguns estudiosos chamam de Introdução aos Provérbios (capítulos de 1 ao 9), também chamados de Discursos ou Chamados da Sabedoria. Os capítulos 8 e 9 são tudo de bom.

Como no capítulo 1, o capítulo 8 nos apresenta a Sabedoria como se fosse um ser pessoal conversando conosco e nos convidando a ouvir e aceitar suas orientações. Em contraste com a representação da mulher perversa, a Senhora Insensatez (Loucura), do capítulo 7, estudado na semana passada, aparece no capítulo 8 o que parece ser a senhora Sabedoria falando.

A grande novidade é que agora, no capítulo 8, vamos entender que a Sabedoria que conversará conosco não é aquela mulher de todas as virtudes, mas a segunda pessoa da Trindade, Jesus Cristo, a Palavra criadora. Veja especialmente os versos 22 a 31. Note como a Sabedoria no capítulo 8 revela Seu papel na vida humana, MAS, sobretudo nas Suas relações com Deus desde a eternidade, muito antes de haver Universo. Seu papel na criação fica evidente e Seu maior desejo é levar os seres humanos ao favor de Deus (verso 35). Nesse ponto vemos porque os escritos de Salomão se diferenciam da literatura sapiencial predominante e abundante do antigo Oriente próximo e se colocam como Inspirados e por isso estão no Cânon Sagrado. Aqui, Provérbios deixa de ser um grande livro de sabedoria humana para apontar, sob inspiração do Espírito Santo, o caminho da Salvação.

Note especialmente os seguintes versos do capítulo 8:

1 a 3: “…junto ao CAMINHO, nas encruzilhadas…, ela (a Sabedoria) se coloca… clamando…”.

7 e 8: “A minha boca proferirá a VERDADE…”.

35: “Quem me acha, acha a VIDA e alcança o favor do Senhor”.

Isso lhe diz alguma coisa?

Estamos acostumados a ver pessoas e “deuses” (lembra da mitologia?) dizerem ter sabedoria. Mais uma vez, como nos dias da infância, percebo o contraste entre o ter e o SER Sabedoria em Si mesmo, inerente e eterno, o Único que pode dizer de Si próprio “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida” João 14:6.

Quem encontra Cristo, encontra tudo isso.

O capítulo 9, escrito em refinado estilo de literatura de contraste, muito própria do Oriente, vai voltar à sugestiva e aparente imagem das duas mulheres muito diferentes, a Sabedoria e a Loucura. São 3 partes. Os seis primeiros versos (ações da Sabedoria) contrastam ponto a ponto com os seis últimos (ações da Loucura). No meio disso o sábio faz uma reflexão pessoal sobre a inutilidade de se exortar o orgulhoso tolo que não quer aprender, e a humildade do sábio que quer aprender sempre.

A Sabedoria constrói e abriga, supre necessidades (pão e vinho… que interessante) e, finalmente, oferece a vida. A Loucura está assentada à porta, não oferece nada que satisfaça realmente e no final leva ao Inferno (morte).

Eu vejo um clímax aqui. Mais uma vez, Cristo.

Observe Suas ações na História, resumidos de forma metafórica em provérbios 9: 1 a 3. A Sabedoria (Cristo) edificou a sua casa e lavrou suas sete colunas (Criação); sacrificou suas vítimas e misturou o seu vinho (Salvação) e já preparou a mesa … e anda convidando… (Redenção). Sensacional! Maravilhoso! Sublime!

“Mas vós sois Dele, em Jesus Cristo, o qual foi feito por Deus Sabedoria e Justiça, e Santificação e Redenção” I Cor. 24:30

Em tempo: Athena, deusa da sabedoria e justiça na mitologia grega é com frequência vista acompanhada de Nike, a deusa da vitória, pois são dependentes uma da outra. Pode até ser um mito interessante,

“Mas graças a Deus que nos dá a vitória por Nosso Senhor Jesus Cristo.” I Cor. 15:57.

Ele não é só Amor e Sabedoria. Ele não é só Caminho, Verdade e Vida.

Ele não está com a vitória.

ELE É A VITÓRIA. Aleluia!

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