Feliz Semana
28/08/2021
Feliz Sábado
03/09/2021

Comentário da Lição 10

Descanso Sabático

Moisés Lopes Sanches Jr

“Seis dias vocês trabalharão, mas o sétimo dia será o sábado de descanso solene, santa convocação; não façam nenhuma obra; é sábado dedicado ao Senhor onde quer que vocês morarem” (Lev 23:3).

Na semana passada, fomos embalados pela melodiosa e harmoniosa canção do sábado, num ritmo agradável de descanso e reflexão.

Esta semana, somos convidados a entender não somente o sentido, aplicação, observância e abrangência do sábado, como também a motivação e implicações para negação de sua observância.

O autor inicia com uma bateria de perguntas, dúvidas e contraposições apresentadas rotineiramente sobre o sábado. Gostaria de dividi-las em 3 grupos principais:

  1. Argumentos ateístas ou agnósticos
  2. Argumentos hedonistas ou egocêntricos
  3. Argumentos teológicos ou espiritualistas

O primeiro grupo se utiliza de toda sorte de argumentos que de uma maneira ou outra rechacem a ideia da existência ou soberania de um Ser superior a quem possamos chamar de Deus.   Tem uma dificuldade persistente em aceitar a existência de algo ou alguém que lhes coordene a vida, que detenha respostas últimas aos questionamentos humanos, e preferem seguir um caminho de autossuficiência.  

Curiosamente, este não é um caminho seguido exclusivamente por ateus ou agnósticos convictos e declarados. Muitos cristãos, e inclusive adventistas, seguem este tipo de argumentos e, ainda que publicamente admitam a existência de Deus, frequentem às vezes ou rotineiramente a igreja, conduzem sua vida como se Deus estivesse tão distante que não lhes pudesse referenciar nada com respeito ao que acontece debaixo do sol.

Tem sérias dúvidas sobre a veracidade ou literalidade da bíblia, questionam suas verdades como possíveis invenções ou adulterações humanas, e tem sérias dificuldades com a autoridade eclesiástica e religiosa, razão pela qual, preferem “tocar” suas vidas como se Deus não existisse, e apenas seguem a religião como mero formalismo social, cultural, ou aposta futura.  

O segundo grupo é mais sutil, recorre principalmente à sua percepção individual, necessidades pessoais, conveniências, se utilizando rotineiramente da “graça de Cristo” como anteparo para toda sorte de comportamentos centrados no prazer pessoal e decisões independentes.  Não nega a existência de Deus, ao contrário, têm nele um amuleto que carregam todo tempo. Se envolvem em toda atividade religiosa que de alguma maneira lhes proporcione “alegria” e “prazer”, e se alimentam deste tipo de sensação.  

Ocorre, porém, que têm uma dificuldade importante quanto a qualquer norma, regra ou princípio que afete suas filosofias pessoais e gostos arraigados, e buscam à todo custo encontrar justificativas em narrativas bíblicas por eles construídas que, de algum modo, lhes permitam continuar suas práticas distorcidas em relação a cristalina verdade bíblica.  São hábeis em buscar todas as zonas cinzentas do evangelho a fim de caminhar o mais próximo (e não importa o lado) da linha que divide a verdade e o erro.  Na maioria das vezes, porém, caminham sobre a linha ou pra lá dela, e com o tempo, acabam criando suas próprias linhas (curvas) a fim de alimentar a sensação de que trilham o caminho da verdade, quando, em realidade, já estão muito distantes dela.

Seu método predileto de leitura e interpretação bíblicas consiste em “contextualizações culturais” e construção de “narrativas contemporâneas” de adequação do texto bíblico, “alegorizando” boa parte das escrituras. Apenas se esquecem de que, ao fazê-lo, trazem pra si mesmos a definição da verdade, característica típica do hedonismo e egocentrismo.

Este grupo é majoritariamente composto por progressistas e liberais religiosos radicados nos conceitos fluídos da pós-modernidade.

O terceiro grupo é o mais complexo deles pois se utiliza de argumentos eminentemente teológicos para contrapor as questões relativas ao sábado e a lei de Deus.  Basicamente se utilizam de alguns conceitos principais e que se complementam:

  1. A invalidade do Velho Testamento para o Cristianismo
  2. A invalidade da Lei para fora de Israel
  3. A graça de Cristo como cumprimento vicário(substitutivo) da Lei
  4. A graça de Cristo como anulação da Lei

A principal dificuldade no confronto com as ideias deste grupo repousa sobre o fato de que seus argumentos se baseiam em recortes e junções textuais desprovidas de contexto, e como popularmente se diz, texto fora de contexto é pretexto.  Sua forma de interpretar a bíblia é ainda sustentada por pequenas distorções semânticas e ou de tradução, o que torna mais robustos ou sutis seus argumentos.

A favor deste 3º. Grupo, porém, corre o fato de que vários de seus membros são pessoas sinceras e que, por história, tradição ou simplesmente falta de método, estão cegadas à verdade bíblica.

Não raras vezes, quando se deparam com a verdade e um método consistente de leitura e interpretação de texto, se surpreendem de como até aquele momento não haviam percebido a verdade, e com a mesma sinceridade anterior, rendem-se a pureza da verdade e doutrina.

Há, porém, entre eles os que sorrateira, intencional e ardilosamente, constroem uma teologia conscientemente torta com o intuito de manter o engano e a autoridade sobre seus seguidores.  São “sofistas” teológicos e cumprirão o que a profecia descreve quando ao fim da história, os enganados se voltarão contra os que deliberadamente lhes conduziram ao engano (vide os últimos capítulos de apocalipse).

Feita a introdução, a Lição de forma simples e leve nos fornece 5 princípios básicos que norteiam o que dissemos ao início: o sentido, aplicação, observância e abrangência do sábado.

Sobre o sentido do sábado, a criação é o ponto de referência. Como vimos na semana passada, o sábado fecha a semana da criação estabelecendo um marco de autoridade e hierarquia, pelo qual percebemos uma criação que responde ao Homem que sobre ela exerce domínio, enquanto o Homem responde a Deus que, sobre ele e a criação, possui autoridade plena.  O sentido primário do sábado na criação é adoração e reconhecimento da soberania de Deus.  

Por outro lado, o sábado tem também um sentido secundário de relacionamento entre a criação e o Criador, e através deste relacionamento, a criatura se desenvolve e amplia sua percepção, compreensão e confiança neste que a criou, dando ao sábado uma aplicação educacional e, por que não, “profilática” em relação ao pecado.

Houvera o ser humano permanecido nesta relação de confiança e dependência salutar, esta teria sido a história “cíclica” semanal até hoje, e estaríamos vivendo em um estado de santidade, integridade e liberdade sem precedentes.

Como optamos pelo mal, e dele, prisioneiros e escravos, a intervenção de Deus traz ao sábado uma nova dimensão e aplicação.  O sábado figura como um convite ao Eden perdido; uma volta pra casa; um recomeço.  

O sábado aponta semanalmente o que perdemos, e guarda o princípio central da liberdade – Ele nos libertou e nos amou primeiro quando ainda éramos pecadores.  É curioso imaginar que caprichosamente a cruz que paga o pecado acontece em uma sexta-feira, a ressurreição que vence a morte acontece em um domingo pela manhã, mas a benção da páscoa que nos liberta descansa silente e pacientemente no sábado que liga os dois eventos anteriores.  Esta pausa fica ainda mais bonita quando observamos que em apocalipse 4 e 5, o céu é descrito como esperando a chegada de alguém que parece atrasado na cena.  A pergunta que ecoa pelo céu – Quem é Digno? – é respondida com apreensão – Ninguém!  Curiosamente, o único momento em que ninguém poderia ser achado digno em parte alguma do universo era justamente o sábado em que Cristo, o Libertador, Leão de Judá e raiz de Davi, repousava conforme o mandamento. 

O sábado, celebrado como liberdade simbólica pelos Israelitas em sua escravidão egípcia, aparece no Sinai como uma antecipação da verdadeira e plena liberdade do Egito ateísta e agnóstico do pecado que nos prende e escraviza.  O grande Shabbat que divide a morte e a vida, a cruz e a ressurreição é nossa alegria e celebração verdadeira.

Em sequência, o autor nos conduz a observância e abrangência do sábado, e destaca duas questões igualmente importantes:  O sábado é pra todos, a benção abrange a todos, e por essa razão, até mesmo o estrangeiro que conosco está deve ser conduzido a desfrutar desta benção.  Tal condição nos mostra que embora o mundo tenha liberdade de fazer o que desejar neste dia, das portas pra dentro e naquilo que nos compete, quem conosco está deve ser convidado a desfrutar da experiência de um dia diferente na presença do Criador.  Talvez, para alguns, essa será a única oportunidade para compreensão do sábado.  

Frivolidades, baixa de padrões, tentativas de agrado com quebra de princípios com a alegação de que pessoas se sentirão constrangidas por não professarem a mesma fé, são apenas desculpas mal formadas na tentativa de justificar nossa própria falta de fé.  A observância adequada do sábado, a espiritualidade e paz gerada pela presença do Espírito Santo farão a obra de influência necessária e os que nos visitam desfrutarão de uma atmosfera de benção que nada no mundo é capaz de superar.

O autor ainda nos conduz a percepção de que, como o sábado além de adoração é relacionamento, o exercício do bem ao próximo, amenizando o sofrimento produzido pelo pecado, o desprendimento do próprio eu e o olhar para a dor do outro, constituirá uma benção ainda maior para o que verdadeiramente significa o dia de sábado.  Neste sentido, o sábado se aplica muito bem como um bálsamo que, até que venha o Salvador, curará, ainda que parcialmente, as mazelas deste mundo.  Ao mesmo tempo, servirá de constante lembrança de que fomos criados perfeitos e a imagem de Deus, e em breve, retornaremos à esta mesma condição, o que, renova semanalmente nossa esperança, e a esperança, não confunde (Rom. 5:1-5).

Finalmente, o Sábado é um sinal constante, estável e perpétuo de pertencimento.  Somos de Deus! Ele nos fez!  Ele nos amou!  Ele nos deseja de volta.

Sim, o sábado é um recado constante de que Deus tem saudades de nós.

A grande pergunta, e talvez a mais grave, é:

Temos saudades dEle?

A maneira como nos preparamos, ansiamos e observamos o sábado é um excelente termômetro para verificar a temperatura desta Saudade! Pense nisto, enquanto descansa nas palavras desta canção…

Um bom Sábado!

Os comentários estão encerrados.